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quarta-feira, 28 de julho de 2021

terça-feira, 27 de julho de 2021

quarta-feira, 10 de março de 2021

Esperança!

 

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Photo by Irina Babina on Unsplash

Acalentamos esperança de dias melhores. A esperança é uma ideia concreta, um sentimento do que é possível, uma projeção futura do que queremos agora. Ao direcionar para o futuro, a esperança evoca um desejo do presente. A esperança tem sido também um motor de transformação na humanidade no sentido de mobilizar pessoas insatisfeitas que almejam um futuro diferente.

A forma como vivemos o presente e imaginamos o futuro regula a personalidade de cada indivíduo. O otimismo tem a ver com pensar que as coisas vão correr sempre muito bem e acontecer tal qual as imaginámos.  O modo como aprendemos a gerir as expectativas irá ditar se somos uma pessoa mais otimista ou mais pessimista, havendo até uma ideia de que os pessimistas podem ser mais felizes, por viverem com níveis de expectativas mais baixos.

Para racionalizar a esperança, esta esperança de dias melhores, fazemos o exercício de olhar a realidade, tal como ela se nos apresenta, e de traduzir esse sentimento nas causas que a concebem, e pensando as razões que nos permitem esperar o melhor daquilo que imaginamos. Também o conhecimento do mundo, do que se passa à nossa volta, ou até experiências idênticas mas em contextos mais longínquos, permite relativizar a nossa própria realidade, refletir sobre ela e ir encontrando algum equilíbrio nessa gestão de expectativas.

Ter esperança é parecido com saber esperar e saber esperar é uma coisa que demora a aprender e não é fácil ensinar. A leitura mediada de livros álbum é uma oportunidade para criar um espaço/ tempo para pensar em conjunto e partilhar ideias, experiências e emoções. Sugere-se um conjunto de álbuns que permitirão trazer à discussão e reflexão estas temáticas, assim como um livro digital que ficciona a experiência da pandemia com crianças de diferentes partes do mundo. Pelas suas características textuais e gráficas, podem ser utilizados com alunos de diferentes faixas etárias.

 

A árvore vermelha, Shaun Tan, Kalandraka

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A árvore vermelha é um canto poético à esperança, ainda que grande parte das suas ilustrações transporte o leitor para um mundo cinzento, agonizante e atemorizador. A protagonista sente-se triste, incompreendida, perdida, desorientada, vazia e vencida por circunstâncias adversas... mas eis que, quando e onde menos se espera, surge a luz ao fundo do túnel, o motivo desejado para vencer o desânimo.” (resenha da editora)

 

Espera, Miyuki, de Roxane Marie Galliez e Seng Soun Ratanavanh, Orfeu Negro

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Espera, Miyuki é um livro sobre a (im)paciência, que nos fala da arte de saber esperar. Delicado e sonhador, este álbum convida-nos a parar e a descobrir a lenta valsa de cada momento.” (resenha da editora)

 

À Procura de Ontem, Alison Jay, Fábula

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“Um rapaz decide ir à procura de ontem, pois foi o seu melhor dia de sempre. Para isso, usa todo o seu conhecimento científico na tentativa de voltar ao passado, mas sem sucesso. É então que vai ter com o avô e lhe pede ajuda. Este vai mostrar-lhe que mais importante do que voltar a ontem é viver plenamente o hoje. Todos gostamos de guardar as boas recordações de experiências passadas, mas o melhor ainda pode estar para vir. Há que aproveitar tudo o que de bom o dia de hoje nos pode trazer.” (resenha da editora)

 

Ainda nada, Christian Voltz, Kalandraka

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“Uma manhã bem cedo, o Sr. Luís cavou um buraco na terra onde deixou cair uma semente. Sob o olhar expectante de um pássaro, sempre presente, foi medrando nele o desejo de ver brotar e crescer a flor que plantou. Mas, «Ainda nada?», perguntava ele, dia após dia, ao ver que nada acontecia, até ao momento em que… O texto aparentemente simples deste álbum encerra uma mensagem fulcral: a descoberta da paciência e a virtude da perseverança. Através do processo do nascimento e crescimento de uma planta, Christian Voltz constrói uma metáfora da própria vida, com as suas frustrações, mas também com as suas satisfações.” (resenha Wook)

 

Esperança, onde está você?, Lego Foundation

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Escrito pelos professores Armand Doucet (Canadá) e Elisa Guerra (México), o livro infantil “Esperança, onde está você?” conta a história de seis crianças, moradoras de diversas partes do planeta, que enfrentam o encerramento de escolas em virtude da COVID-19. Abordando as suas frustrações e desafios, as histórias seguem um padrão semelhante, visando levar uma mensagem de esperança. O projeto, uma iniciativa da Lego Foundation, foi traduzido por educadores voluntários para aproximadamente 30 idiomas. A versão em português PT pode ser descarregada aqui.

 

Pistas para discussão:

Afinal a esperança existe? Será a esperança uma ilusão ou aquilo que é possível? É bom ter esperança? Pode-se viver sem esperança? Pode-se viver com esperanças desmedidas?

O que posso fazer para concretizar um futuro que desejo? Como posso lidar com as coisas que não dependem de mim?

Como percebemos os provérbios contraditórios “Quem espera, sempre alcança” e “Quem espera, desespera”? É possível encontrar um equilíbrio?


Fonte: Rede de Bibliotecas Escolares- Blogue

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Da janela da minha casa!

 

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Photo by Mathyas Kurmann on Unsplash

Vizinho, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa é um adjetivo que designa o próximo, que está perto, assim como, em sentido figurado, descreve a relação do que é semelhante ou tem alguma analogia ou afinidade.

As relações de vizinhança são muito diferentes consoante vivamos num centro urbano, numa aldeia ou no meio rural, num prédio, numa moradia ou numa quinta. As regras de confinamento, que nos obrigam a permanecer em casa muito mais tempo do que aquilo a que estávamos habituados, condicionam estas relações, aproximando ou, pelo contrário, gerando mal-estar.

Há vizinhos discretos e há vizinhos que nos atormentam a vida. Há vizinhos que são família e há vizinhos que são como fantasmas. Há vizinhos com rotinas que reconhecemos e há vizinhos com hábitos que não compreendemos. Há vizinhos que cantam no duche, que jogam à bola sem balizas, que nos abrem o apetite com os seus cozinhados, que discutem em estéreo ou que estão sempre em festa…

Se, por um lado, a pandemia acentuou a relação de interdependência entre as pessoas, por outro lado, tornou regra o distanciamento social. Num tempo em que estamos afastados dos que nos são mais queridos, como vivemos com os que nos estão mais próximos?

A leitura mediada de livros álbum é uma oportunidade para criar um espaço/ tempo para pensar em conjunto e partilhar ideias, experiências e emoções. Sugere-se um conjunto de álbuns que, pelas suas características textuais e gráficas, podem ser utilizados com alunos de diferentes faixas etárias.

 

Os vizinhos, de Einat Tsarfati. Editora Fábula

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«O prédio onde eu moro tem sete andares. E em cada andar há uma porta um bocadinho diferente. Enquanto sobe as escadas para chegar a casa, uma menina curiosa observa os pormenores, sente os cheiros e ouve os sons de cada andar. Através deles, imagina o que haverá por detrás de cada porta e na sua cabeça os seus vizinhos são fantásticos acrobatas, ladrões de obras de arte, músicos… em contraste com os seus pais, que são muito aborrecidos. Mas será que é mesmo assim?.» (resenha da editora)

 

1.º Direito, Texto: Ricardo Henriques, Ilustrações: Nicolau, Editora Pato Lógico

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«Este é um livro para pessoas que gostam de observar pessoas, como acontece com Graça, a protagonista desta história, contada com cores quentes, contornos policiais e alguma intriga internacional. Graça desconfia que o vizinho do 1.º direito anda a planear um assalto. Será verdade? Pelo caminho vamos conhecer várias vidas do prédio em frente: os clientes do Café Dias, um músico que dá concertos para a vizinhança e um fotógrafo incompreendido, entre outras. Quem é que observa quem? Só saberemos no final da investigação em curso.» (resenha da editora)

 

Estranhóides, Eva Montanari, Livros Horizonte

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«Qual a melhor maneira de fazer amigos quando se muda para um prédio novo? Espreitando os seus moradores pelo buraco da fechadura! Só que, vistos desta maneira, mesmo nas suas tarefas mais normais, os vizinhos parecem personagens bizarros, estranhos. Estranhóides, está bem de ver. Até que decidimos passar a conhecê-los melhor…» (resenha da editora)

 

Perto, de Natalia Colombo, Kalandraka

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«O senhor Pato vai trabalhar todos os dias. O senhor Coelho também vai trabalhar todos os dias. Cruzam-se sempre...

"Perto" é uma fábula sobre a falta de comunicação, uma reflexão poética e profunda sobre as relações interpessoais e o individualismo, os desejos e as emoções. Do ponto de vista literário, destaca-se pela sua simplicidade narrativa e pela engrenagem interna do relato, que plasma o paralelismo entre as ações dos protagonistas: um pato e um coelho que vivem encerrados na sua solidão; nesse sentido, a obra convida o leitor a não voltar as costas aos outros.» (resenha da editora)

 

Pistas para discussão:

O que sabemos sobre os nossos vizinhos? Pode-se procurar histórias de vida, reais ou deixar a imaginação tomar as rédeas do nosso pensamento.

Que valores são realmente importantes para estabelecer relações de boa vizinhança? Podemos começar pelo ponto de vista ambiental: Como pensamos as questões da reciclagem e reutilização, dos consumos e conservação em partes comuns, do ruído? Do ponto de vista cultural, o que podemos ganhar com a diversidade? E do ponto de vista social, estaremos atentos e disponíveis para apoiar quem precisa?


Fonte: Rede de Bibliotecas Escolares

sábado, 3 de dezembro de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Diário inventado de um menino já crescido

A escola
Todos os dias tenho muitas coisas importantes para fazer na minha escola.

Às vezes, aparecem minhocas ao canto do recreio.
Só de uma vez contei 57! Gosto muito de ir atrás delas e saber o que é que fazem, donde vêm, para onde vão. Ando a escrever uma história sobre minhocas com desenhos e tudo.
O André, que é o meu maior amigo e está ao meu lado na sala de aula, gosta mais de grilos. Eu cá gosto é de minhocas. Também gosto de elefantes e girafas, mas a minha escola é pequenina. Só dá para meninos e minhocas e contas de somar e lápis de cor e livros e outras coisas assim.

Todos nós vivemos acontecimentos extraordinários, conhecemos pessoas especiais, presenciamos momentos irrepetíveis.
O problema é que, quando começamos a crescer, começamos também a esquecer muitos desses acontecimentos, dessas pessoas, desses momentos.
É para isso que servem os Diários. Para guardar a nossa memória.
Um dia, resolvi chamar o menino que já fui à escrita e pedi-lhe para escrever algumas coisas de que ainda se lembra: os colegas, a avó, o pai, as múltiplas e, por vezes, contraditórias aprendizagens de que é feito o nosso crescimento.
E assim nasceu este Diário que é um bocadinho verdadeiro e um bocadinho inventado e que foi escrito pelo menino já crescido que sou.
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 5º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma e leitura com apoio do professor ou dos pais. 

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Leituras aos quadradinhos

Para provar que os CEO das empresas são realmente ignorantes, que as apresentações em PowerPoint são, na melhor das hipóteses, inúteis, e que o maior inimigo do escritório é uma força omnipresente a enfrentar, o criador de Dilbert, Scott Adams, oferece-nos um novo livro, desta vez integralmente a cores. Dibert continua a ser a voz do homem comum, lutador e residente em cubículos. Com o seu dúbio melhor amigo Dogbert e um elenco de personagens de escritório tão reconhecíveis para aturar, Dilbert tenta sobreviver no marasmo que é o mundo empresarial.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A poesia de Alexandre


A ideia de que as obras completas de um poeta são um laborioso cená­rio feito para justificar a possibilidade de alguém se lembrar de alguns ver­sos escassos não encontrou, compreensivelmente, muitos poetas que a subscrevessem. Menos que a imortalidade irrestrita não agrada nem a poe­tas nem a quase ninguém. Aquilo a que chamamos poesia seria com certe­za diferente se os objectivos professos dos poetas fossem parecidos com os de Alexandre O'Neill: acertar «a um verso por ano». E no entanto é desses versos, um por ano no máximo, que nos lembramos, e é o desacordo entre a ideia pouco lisonjeira que do público e dos colegas fazem os poetas e o aproveitamento circunspecto que dos poetas tem o público (mas não os colegas) que constitui realmente o assunto da história da poesia. Quando o poeta francês Stéphane Mallarmé observou que todas as coisas deste mundo existem para irem dar a um livro, prudentemente não indicou quem escreveria tal livro. Mas estava a sugerir que a maior parte deste mundo é o lixo desse livro.

O primeiro poema de Alexandre O'Neill de que me lembro estava jus­tamente num caixote de lixo. Por volta de 1970 ou 71, a descer o Parque Eduardo VII em Lisboa, afixado no lado exterior de um caixote de lixo amarelo, podia ler-se:
Subamos e desçamos a Avenida,

Enquanto esperamos por uma outra

(ou pela outra) vida.

Miguel Tamen -in, Alexandre O` Neill, Poesias Completas, ASSÍRIO & ALVIM, Lisboa, 5ª edição, 2007

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A dificuldade que é desatar um nó!

Em O Nó dos Livros, texto e imagem conjugam-se para conduzir o leitor por uma viagem que Henrique, um jovem rapaz, precisou de fazer para desatar o nó na garganta que há muito tempo o apertava, percorrendo para isso os vários nós que conhecemos - nó da garganta, nó da madeira, nó de marinheiro, nó de gravata, dar o nó e o nó dos dedos - à medida que se conhecem terras distantes, pessoas e costumes diferentes, até se chegar ao nó que dá nome à publicação.
Resultado da parceria entre Margarida Fonseca Santos e Gabriela Sotto Mayor, trata-se de uma narrativa que tira substancial partido da repetição no desenrolar da estória - como quando o protagonista parte de uma aldeia para outra: «E foi assim que Henrique se viu de novo na estrada…» - assim como acontece com a maioria dos diálogos entre os vários habitantes e Henrique - «Posso levá-lo comigo?» / «Claro, é teu!», só para citar um exemplo. Esta abordagem, também sublinhada pela ilustração, confere ritmo, cadência e uma certa musicalidade ao texto, convidando à leitura em voz alta.
A angústia da personagem é traduzida pela distinção cromática, que a ilustração lhe oferece, já que, tratando-se de uma publicação a cores, Henrique é sempre retratado a preto e branco até ao momento (quase final) em que o nó na garganta se desfaz e encontra a sua vocação, aparecendo aí a cores, à semelhança das restantes personagens e cenários. As ilustrações captam e cristalizam os momentos chave que estruturam a história - promovendo a sua identificação -, lançam pistas quanto à solução do problema do protagonista - despertando a atenção e a curiosidade do leitor -, assim como acrescentam detalhes e pequenas histórias paralelas - potenciando a releitura e a procura de outras leituras informativas adicionais.
O Nó dos Livros é um livro repleto de sabedoria que, entre afectos e ternura, reflecte a dificuldade que é crescer e encontrar o nosso caminho e que, felizmente, nos oferece uma solução que reside na paciente procura e auto descoberta.
No dos Livros_capa final O Nó dos Livros de Margarida Fonseca Santos (texto) e Gabriela Sotto Mayor (ilustração), Porto, 2009, Trinta Por Uma Linha
Palavras-chave: afectos, crescimento, viagem, aldeia, cidade, mar, casamento, livro, escrever
Áreas-temáticas: afectos, viagem
ISBN 978-989-821-320-4
Leitores medianos e autónomos

Pescado em: http://ilustrasim.blogspot.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Que o mundo está todo do avesso já sabemos".

1. “Que o mundo está todo do avesso já sabemos. Às vezes está do avesso para bem e outras para mal. Mas se resolvêssemos aparafusá-lo, deixava de rodar e isso é que não tinha graça nenhuma.”
2. “Uma pessoa só se perde se não souber para onde quer ir.”
3. “Não há que ter vergonha por chorar. Às vezes até é bom. Faz falta quando sentimos saudades de alguém, ou ouvimos uma música especial, ou estamos simplesmente tristes. Toda a gente chora ou já chorou. Mesmo os mais fortes, os mais valentes.”
4. “Há tantas coisas que nós fazemos porque sim ou porque não. Bem… Lá no fundo temos sempre uma razão, mesmo quando não sabemos qual é.”
5. “É bom que as paredes dos castelos sejam, por vezes, bem reais e sólidas, metade de pedra, metade de sonho.”
José Fanha. A porta. Alfragide: Gailivro, 2009

Um menino e os pais chegam, de malas feitas, a uma casa nova.
Mas a casa nova não têm paredes, nem tecto, nem nada.
Apenas uma porta.
- Uma porta é um bom começo! – disse logo o pai que era um sonhador. Mas a mãe ficou muito aflita. – E onde está a cozinha, a sala, o quarto?
Tudo estava por inventar  naquela casa que ainda só tinha uma porta.
No entanto, essa não era uma porta vulgar. Abria para um mundo mágico onde viviam e vivem os novos vizinhos: o Grnade Espinafre, a Bruxonauta, a Princesa Princesinha e o Xico Parafuso. Gente muito  invulgar mas cheia de vontade de ajudar embora nem sempre essas ajudas resultem da melhor maneira. Basta lembrar os bruxedos falhados da Bruxonauta, das tentativas do Xico Parafuso de pregar as pessoas ao chão e os ponteiros ao relógio, ou do esparguete que não pára de crescer na horta do Grande Espinafre.
É assim que, de um lado e do outro da porta, se confrontam como dois espelhos a realidade que se mostra pouco real e a magia que alarga e ameniza o mundo. Entre os dois a casa vai crescendo como um espaço caloroso onde cabe a amizade, o amor e o sonho, ou seja, a grande aventura da vida.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Para os mais novos um livro delicioso. Deixamos um cheirinho

Chocolata toma o seu banho diário na lagoa. Um dia ouve que na cidade há uma casa de banhos, e parte com a intenção de experimentá-la.
Ao chegar à capital, Chocolata faz uma rápida incursão nos hábitos urbanos mais actuais e reconhecíveis pelo olhar infantil, e experimenta outro estilo de vida.
A ilustração, de inspiração africana, é alegre e colorida; expressa com mestria diferentes perfis humanos através dos animais da selva, e reflecte o humor e optimismo da narração; mas, para além disso, Helga Bansch enriquece o relato criando personagens que nos conduzem habilmente através das páginas, para dar um sentido mais amplo à viagem de Chocolata, que o leitor deverá descobrir através da leitura das imagens.
Um relato sobre as ilusões, os desejos, a amizade, a importância da experiência e o valor daquilo que temos muito perto. Um álbum em que o texto e a ilustração se completam de tal forma que uma leitura sem imagens nos evocaria uma história diferente.
PRÉMIO INTERNACIONAL DE LITERATURA INFANTIL.
FUNDAÇÃO ESPACES ENFANTS 2007
Texto de Marisa Núñez
Ilustrações de Helga Bansch
Tradução Dora Batalim Sottomayor

segunda-feira, 28 de março de 2011

Todo o que podes imaginar é real

"As histórias dos livros odeiam as histórias contidas nos jornais, dizia a mãe de David. As histórias dos jornais eram como peixe fresco acabado de pescar, digno de atenção apenas enquanto se mantivesse fresco, o que não durava muito. Eram como miúdos de rua apregoando ruidosamente as edições de fim de tarde, barulhentos e insistentes, enquanto as histórias - as verdadeiras histórias, as inventadas como deve ser - eram como bibliotecários austeros, mas prestáveis, numa biblioteca bem fornecida. As histórias dos jornais eram insubstânciais, como fumo, tão breves qaunto efémeras. Não criavam raiz, eram antes ervas daninhas que rastejavam pelo chão, roubando a luz do sol aos contos mais merecedores.
Estas histórias eram muito antigas, tão antigas como a humanidade, e sobreviviam por serem tão poderosoas. Estes eram os contos que ecoavam na cabeça de quem os lia muito depois de os livros que os continham terem sido postos de parte. Constituíam uma fuga da realidade e, ao mesmo tempo, uma realidade alternativa em si.
O mundo dos contos antigos existia  num mundo paralelo ao nosso, tal como a mãe de David lhe tinha dito uma vez, mas a parede que separava os dois mundos tornava-se, por vezes, tão fina e frágil que os dois mundos começavam a fundir-se um no outro.
Foi quando os problemas começaram."
O Livro das Coisas Perdidas tem aventura, fantástico, mas também realismo. Passa-se durante a Segunda Guerra Mundial e conta a história de um miúdo que perdeu a mãe (que era fã de mitos e contos de fadas). David tem 12 anos e consegue entrar numa “terra de habitada por heróis, lobos e monstros”. De caminho, vai participando em novas versões do Capuchinho Vermelho, da história da Casinha de Chocolate e da Branca de Neve (até agora... mas adivinha-se que nas próximas páginas intervenha em mais histórias conhecidas, até porque há um corcunda pelo meio).
Best-seller do New York Times. “Envolvente, mágico e profundo”, escreveu-se no Independent. “Uma fábula comovente, imaginada de maneira brilhante”, registou The Times.
«Criativo e muito diferente... Uma alegoria sobre a vida e a morte, a guerra e a paz, e outros aspectos desta vida e da próxima…»
Midwest Book Review

David é um menino de doze anos que se refugia nos mitos e contos de fadas. Até que um dia o mundo real se confunde com a fantasia e começam a acontecer coisas más. Um livro recheado de heróis, monstros e magia.
in Pais&Filhos, Setembro de 2010  

domingo, 27 de março de 2011

Um mistério literário


«Um romance fascinante.»
Carlos Câmara Leme, Ler
«Agualusa sabe que a poesia começou por ser uma linguagem prática, útil, ou mágica e xamânica. “Milagrário Pessoal” nunca esquece a dimensão política, nem a política da língua, mas o seu impulso é todo poético, adâmico. O milagre é que esta língua seja tantas línguas, que tantas línguas sejam uma só língua. Um enigma que Agualusa compara ao mais poético dos enigmas: a linguagem dos pássaros.»
Pedro Mexia, Público
" As palavras, como os seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se. Há-as de índole agreste, cuja simples presença fere e degrada, e outras que de tão amoráveis tudo à sua volta suavizam. Estas iluminam, aquelas confundem. Umas são selvagens, irascíveis, cheiram mal dos pés, fungam e cospem no chão. Outras, lgo ao lado,parecem altivas e delicadas orquídeas."
A Iara interessam sobretudoas palavras recém nascidas, ainda húmidas, ofegantes, indefesas, caídas de repente neste vasto alarido que é a vida."
Iara, jovem linguista portuguesa, faz uma incrível descoberta: alguém, ou alguma coisa, está a subverter a nossa língua, a nível global, de forma insidiosa, porém avassaladora e irremediável. Maravilhada, perplexa e assustada, a jovem procura a ajuda de um professor, um velho anarquista angolano, com um passado sombrio, e os dois partem em busca de uma colecção de misteriosas palavras, que, a acreditar num documento do século XVII, teriam sido roubadas à "língua dos pássaros". Milagrário Pessoal é um romance de amor e, ao mesmo tempo, uma viagem através da história da língua portuguesa, das suas origens à actualidade, percorrendo os diferentes territórios aos quais a mesma se vem afeiçoando.

Milagrário Pessoal
Mágico, envolvente e absolutamente original. Um mistério literário em volta da língua portuguesa. A não perder.

VALE A PENA leia o livro-veja o filme- visite o site oficial

http://www.lasombradelviento.net/

Numa manhã de 1945 um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.
Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo o eco se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à última página.
- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreve e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há muitos anos quando o meu pai me trouxe pela priemira vez aqui, este lugar já era vlaho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento,os que conhecemos estes lugares, os guardiães, asseguramo-nos de que  chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mão de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhoramigo de alguém. Agora só nos t^
em a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?

Críticas de imprensa


"Apetece dizer que este romance é uma alegoria da espécie de amizade que alguns leitores mantêm com certos livros que parecem começar-lhes a descrever a vida (...) A ler com muita atenção."
Humberto brito, In Os Meus Livros, Novembro de 2004

"Este livro foi um dos acontecimentos de 2004, pela sua qualidade de escrita, pela história fantástica e, sobretudo, por ter sido um dos poucos livros que li duas vezes com gosto redobrado. A história tem tudo: mistério, morte, polícia, perseguição, sexo, amizade e política. Carlos Ruiz Zafrón consegue agarrar o leitor desde o primeiro instante e, nas últimas páginas, confrontamo-nos com o drama de querer chegar ao fim e, ao mesmo tempo, querer fazer render o livro. É, para mim, um dos livros de 2004."
Patrícia Reis, Mil Folhar (Público), 02 de Janeiro de 2005

"Embora com ecos superficiais de Mendoza e Pérez-Reverte, a voz de Ruiz Zafón é de uma originalidade à prova de bomba. A Sombra do Vento anuncia um fenómeno da literatura popular espanhola."
Sergio Vila-Sanjuán, La Vanguardia
A Sombra do Vento
Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros. Prémio Correntes d' Escritas / Casino da Póvoa 2006.

sábado, 26 de março de 2011

O poder das palavras para construir mundos

sobre o livro


COMMONWEALTH WRITERS PRIZE Há muito tempo, quando a Terra era ainda jovem, antes de todos os peixes do mar e todas as criaturas da terra começarem a ser destruídos, um homem chamado William Buelow Gould foi condenado à prisão perpétua na colónia penal da ilha Sarah, então terra de Van Diemen, actual Tasmânia.
Talentoso imitador e falsificador de arte, Gould é encorajado por Lempriere, o médico da prisão, a entrar para a Royal Society pintando um livro de peixes.
Apaixona-se pela mulher do carcereiro descobrindo demasiado tarde que o amor não é uma coisa segura, e tenta relatar a estranha realidade que presenciou na prisão, para descobrir que a história não é escrita por quem a conhece, mas sim por quem pode. Gould, colonizador da Austrália, ladrão, mentiroso e assassino, viveu para ser testemunha do horror, do ridículo e de milagres.
Inspirado neste personagem real do início do século XIX, Richard Flanagan constrói um panorama devastador do colonialismo inglês e do racionalismo científico que o sustentou, num romance audacioso e de fecunda imaginação.
O Livro dos Peixes de Gould é uma fábula que questiona a autoria da história e da ciência e a substância que dá vida à criação artística.
O Livro dos Peixes de Gould de Richard Flanagan

sábado, 12 de março de 2011

Um livro assombroso na sua simplicidade, forte no seu impacto.


Numa tentativa de passar a experiência da cegueira, este livro, da autoria de duas artistas venezuelanas, é uma experiência triunfante de leitura. Texto branco em páginas negras, encimado por braille; na página oposta, também negra, as imagens sugeridas pelo texto estão impressas em veniz espessurado, convidando o leitor a tocá-las. (Descodificar as imagens desta forma, propositadamente, é difícil) "O Tomás - começa o narrador - diz que o amarelo sabe a mostarda, mas é suave como as penas dos pintaínhos". Do lado oposto, delicadas penas flutuam pela página. Embora o conceito seja, por si só, cativante, as citações sobre cor revelam Tomás como um personagem de carácter forte. O vermelho "dói", o castanho "estala" e o verde "sabe a gelado de limão". São afirmações vindas de alguém que já meditou bastante sobre o assunto. No entanto, "...o preto é o rei das cores. É suave como a seda quando a mãe o abraça e o envolve com o seu cabelo." Seria um erro entender este livro como uma mensagem sobre a compensação dos outros sentidos na cegueira; essa interpretação não faz justiça a tudo aquilo que o Tomás nos oferece quando saboreia, sente, ouve e cheira as cores.
Publishers Weekly
Como tinha o Espaço e o Tempo arrumados dentro de caixas, era fácil deslocar-se com os seus mundos.
Foi assim que as caixas, umas maiores outras mais pequenas umas mais pesadas, outras mais leves, começaram a sair de baixo da cama e de trás do armário. Chegaram à rua, e, finalmente à escola.
Na escola, claro está, queriam todos abrir as caixas ao mesmo tempo, mas Maria ia explicando com muita calma, que existiam regras, como se de um jogo se tratasse.

1 Só se pode abrir uma caixa de cada vez. É perigoso abrir várias ao mesmo tempo, porque existem lugares que estão zangados uns com os outros. Há mundos que se anulam e destroem, acabando algum deles por desaparecer. E seria muito triste perder-se um lugar para sempre...

2 Os grupos de viajantes nunca podem ser muito numerosos. Os lugares estão habituados a comunicar unicamente com a Maria, o Zarolho, o Óscar e o Basílio.
Por isso, podem assustar-se e as caixas fecharem-se. E depois será muito difícil tirar os viajantes lá de dentro...

3 As viagens nunca podem durar muito tempo. Os lugares ficam tristes quando as pessoas se vão embora. Têm saudades como a tia da Maria e, depois, suspiram...

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