quarta-feira, 6 de abril de 2011

Um sítio inovador para ler livros


CATA LIVROS - Onde as portas e as janelas dão para o livro



CATA LIVROS é o novo projecto desenvolvido pela equipa GULBENKIAN/CASA DA LEITURA que utiliza a internet para aproximar os jovens leitores de um conjunto de títulos essenciais da literatura para infância e juventude, com destaque para a produção nacional, assentando no carácter lúdico e interactivo das narrativas e desafios propostos. A apresentação do sítio CATA LIVROS realiza-se no dia 5 de Abril, pelas 15 horas, na sala infantil da Biblioteca Municipal de Oeiras.

Animado por uma equipa que inclui João Paulo Cotrim, Fernandina Fernando, Elsa Serra e Mariana Sim-Sim David, entre outros, o portal CATA LIVROS é dirigido aos leitores iniciais e medianos (sensivelmente, dos 8 aos 12 anos) e está construído a partir da metáfora de uma casa, com as suas salas e saletas, cantos e recantos, caves e sótãos, e que levam títulos como “salão salamaleque”, “janela de papel” ou “cozinhório & laboratinha”. O mocho, ícone carismático da CASA DA LEITURA, ganha como parceiro um corvo, e ambos servem de cicerones na aventura em que se transformará a leitura.

Os livros abordados são escolhidos segundo critérios de qualidade literária e estética, mas também de representatividade histórica e estilística, sem descurar a atenção ao texto e ao grafismo. Cada mês terá um tema diferente (para começar, por exemplo, «Histórias de bichos estranhos») e, dentro desse tema, um livro destacado e, pelo menos, dezanove outros abordados de modos diversos.

O CATA LIVROS permite também aos mediadores (bibliotecários, professores, educadores, etc.), bem como ao mais generalista dos públicos (pais e jornalistas), por um lado, aceder, através de um conjunto diversificado de recursos, aos livros que alimentam a curiosidade de leitores da mais tenra idade até à adolescência, e, por outro lado, a um conjunto de reflexões, projectos e práticas na área da promoção da leitura.

A equipa que desenvolve o CATA LIVROS acredita que os livros e tudo aquilo que eles contêm, começando nas palavras e imagens, contribuem para tornar a vida melhor. Acredita ainda que ler é um direito e um prazer que pode ser descoberto com pequenas, mas decisivas, ajudas de outros leitores.
Pescado em: http://www.gulbenkian.pt (aceda clicando no título) 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A dificuldade que é desatar um nó!

Em O Nó dos Livros, texto e imagem conjugam-se para conduzir o leitor por uma viagem que Henrique, um jovem rapaz, precisou de fazer para desatar o nó na garganta que há muito tempo o apertava, percorrendo para isso os vários nós que conhecemos - nó da garganta, nó da madeira, nó de marinheiro, nó de gravata, dar o nó e o nó dos dedos - à medida que se conhecem terras distantes, pessoas e costumes diferentes, até se chegar ao nó que dá nome à publicação.
Resultado da parceria entre Margarida Fonseca Santos e Gabriela Sotto Mayor, trata-se de uma narrativa que tira substancial partido da repetição no desenrolar da estória - como quando o protagonista parte de uma aldeia para outra: «E foi assim que Henrique se viu de novo na estrada…» - assim como acontece com a maioria dos diálogos entre os vários habitantes e Henrique - «Posso levá-lo comigo?» / «Claro, é teu!», só para citar um exemplo. Esta abordagem, também sublinhada pela ilustração, confere ritmo, cadência e uma certa musicalidade ao texto, convidando à leitura em voz alta.
A angústia da personagem é traduzida pela distinção cromática, que a ilustração lhe oferece, já que, tratando-se de uma publicação a cores, Henrique é sempre retratado a preto e branco até ao momento (quase final) em que o nó na garganta se desfaz e encontra a sua vocação, aparecendo aí a cores, à semelhança das restantes personagens e cenários. As ilustrações captam e cristalizam os momentos chave que estruturam a história - promovendo a sua identificação -, lançam pistas quanto à solução do problema do protagonista - despertando a atenção e a curiosidade do leitor -, assim como acrescentam detalhes e pequenas histórias paralelas - potenciando a releitura e a procura de outras leituras informativas adicionais.
O Nó dos Livros é um livro repleto de sabedoria que, entre afectos e ternura, reflecte a dificuldade que é crescer e encontrar o nosso caminho e que, felizmente, nos oferece uma solução que reside na paciente procura e auto descoberta.
No dos Livros_capa final O Nó dos Livros de Margarida Fonseca Santos (texto) e Gabriela Sotto Mayor (ilustração), Porto, 2009, Trinta Por Uma Linha
Palavras-chave: afectos, crescimento, viagem, aldeia, cidade, mar, casamento, livro, escrever
Áreas-temáticas: afectos, viagem
ISBN 978-989-821-320-4
Leitores medianos e autónomos

Pescado em: http://ilustrasim.blogspot.com

Cabeças no ar - O cheiro dos livros

The Lost Thing Trailer



SHAUN   ilumina a vida normal dos subúrbios com imagens poéticas de natureza fantástica.


Shaun Tan recebeu o prémio internacional Astrid Lindgren Memorial (ALMA), um dos mais importantes na área da literatura para a infância e juventude (500 mil euros). O anúncio foi feito na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. Shaun Tan e Andrew Ruhemann receberam este ano o Óscar para melhor curta-metragem de animação, com Lost Thing.
 Contraponto lançou a 8 de Abril Contos dos Subúrbios, uma antologia de 15 pequenas histórias ilustradas da autoria de Shaun Tan.

Segundo a Contraponto, em Contos dos Subúrbios são revelados “os mistérios da vida quotidiana tranquila: animais caseiros, casamentos perigosos, mamíferos marinhos encalhados, estudantes de intercâmbio minúsculos e salas secretas cheio de escuridão e de prazer”.
Shaun Tan já foi premiado por diversas vezes devido às suas ilustrações: em 2010 venceu o prémio de melhor artista profissional do Hugo Award, em 2007 e 2009 o World Fantasy Award e em 2008 o prémio de melhor livro do festival de BD Angoulême.
Shaun Tan, cujo site pode ser visitado aqui, nasceu em 1974 na Austrália e formou-se em 1995 na Universidade da Austrália Ocidental em Belas Artes, Inglês e Literatura e História. 
Há a gigantesca bola de poesia, acumulação de todos os poemas que são escritos “ mas que nunca se deixa os outros lerem,” objeto formado pró milhões de fragmentos avulsos, um aleph de papel, infinitamente poderoso e infinitamente frágil. Há uma rena  que leva consigo os nossos objetos preferidos, melancólico avatar das renúncias que nos são impostas e com as quais temos de saber viver. Há uma Máquina da Amnésia verdadeiramente eficaz porque ninguém se lembra dela. Este é um dos livros mais belos editados em Portugal nos últimos tempos.

Pandora's Book

Se nós lemos, eles lêem!

Ler Mais Ler Melhor Carta a um Filho

Ler Mais Ler Melhor Colecção 7 Irmãos

MÃEZINHA, António Gedeão - Leandro Morgado

PORTUGAL, Alexandre O'Neill - Rui Spranger

sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Que o mundo está todo do avesso já sabemos".

1. “Que o mundo está todo do avesso já sabemos. Às vezes está do avesso para bem e outras para mal. Mas se resolvêssemos aparafusá-lo, deixava de rodar e isso é que não tinha graça nenhuma.”
2. “Uma pessoa só se perde se não souber para onde quer ir.”
3. “Não há que ter vergonha por chorar. Às vezes até é bom. Faz falta quando sentimos saudades de alguém, ou ouvimos uma música especial, ou estamos simplesmente tristes. Toda a gente chora ou já chorou. Mesmo os mais fortes, os mais valentes.”
4. “Há tantas coisas que nós fazemos porque sim ou porque não. Bem… Lá no fundo temos sempre uma razão, mesmo quando não sabemos qual é.”
5. “É bom que as paredes dos castelos sejam, por vezes, bem reais e sólidas, metade de pedra, metade de sonho.”
José Fanha. A porta. Alfragide: Gailivro, 2009

Um menino e os pais chegam, de malas feitas, a uma casa nova.
Mas a casa nova não têm paredes, nem tecto, nem nada.
Apenas uma porta.
- Uma porta é um bom começo! – disse logo o pai que era um sonhador. Mas a mãe ficou muito aflita. – E onde está a cozinha, a sala, o quarto?
Tudo estava por inventar  naquela casa que ainda só tinha uma porta.
No entanto, essa não era uma porta vulgar. Abria para um mundo mágico onde viviam e vivem os novos vizinhos: o Grnade Espinafre, a Bruxonauta, a Princesa Princesinha e o Xico Parafuso. Gente muito  invulgar mas cheia de vontade de ajudar embora nem sempre essas ajudas resultem da melhor maneira. Basta lembrar os bruxedos falhados da Bruxonauta, das tentativas do Xico Parafuso de pregar as pessoas ao chão e os ponteiros ao relógio, ou do esparguete que não pára de crescer na horta do Grande Espinafre.
É assim que, de um lado e do outro da porta, se confrontam como dois espelhos a realidade que se mostra pouco real e a magia que alarga e ameniza o mundo. Entre os dois a casa vai crescendo como um espaço caloroso onde cabe a amizade, o amor e o sonho, ou seja, a grande aventura da vida.

simplesmente deliciosos!

A ASA iniciou em Março a publicação das aventuras dos Smurfs, pequenos personagens azuis criados pelo belga Peyo (1928-1992) que há quem também conheça por Schtroumpfs (o nome original).
Até ao final de 2012 serão lançados mais de 50 títulos em diferentes formatos e tipos de livros, aproveitando assim o balanço dado pela estreia prevista para 11 de Agosto da longa-metragem Os Smurfs em 3D. Pode ver aqui o trailer do filme.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Chocolata - Libro CD-DVD Contos en Cantos

Para os mais novos um livro delicioso. Deixamos um cheirinho

Chocolata toma o seu banho diário na lagoa. Um dia ouve que na cidade há uma casa de banhos, e parte com a intenção de experimentá-la.
Ao chegar à capital, Chocolata faz uma rápida incursão nos hábitos urbanos mais actuais e reconhecíveis pelo olhar infantil, e experimenta outro estilo de vida.
A ilustração, de inspiração africana, é alegre e colorida; expressa com mestria diferentes perfis humanos através dos animais da selva, e reflecte o humor e optimismo da narração; mas, para além disso, Helga Bansch enriquece o relato criando personagens que nos conduzem habilmente através das páginas, para dar um sentido mais amplo à viagem de Chocolata, que o leitor deverá descobrir através da leitura das imagens.
Um relato sobre as ilusões, os desejos, a amizade, a importância da experiência e o valor daquilo que temos muito perto. Um álbum em que o texto e a ilustração se completam de tal forma que uma leitura sem imagens nos evocaria uma história diferente.
PRÉMIO INTERNACIONAL DE LITERATURA INFANTIL.
FUNDAÇÃO ESPACES ENFANTS 2007
Texto de Marisa Núñez
Ilustrações de Helga Bansch
Tradução Dora Batalim Sottomayor

segunda-feira, 28 de março de 2011

Uma fantástica aventura

A ilha dos livros falantes

Todo o que podes imaginar é real

"As histórias dos livros odeiam as histórias contidas nos jornais, dizia a mãe de David. As histórias dos jornais eram como peixe fresco acabado de pescar, digno de atenção apenas enquanto se mantivesse fresco, o que não durava muito. Eram como miúdos de rua apregoando ruidosamente as edições de fim de tarde, barulhentos e insistentes, enquanto as histórias - as verdadeiras histórias, as inventadas como deve ser - eram como bibliotecários austeros, mas prestáveis, numa biblioteca bem fornecida. As histórias dos jornais eram insubstânciais, como fumo, tão breves qaunto efémeras. Não criavam raiz, eram antes ervas daninhas que rastejavam pelo chão, roubando a luz do sol aos contos mais merecedores.
Estas histórias eram muito antigas, tão antigas como a humanidade, e sobreviviam por serem tão poderosoas. Estes eram os contos que ecoavam na cabeça de quem os lia muito depois de os livros que os continham terem sido postos de parte. Constituíam uma fuga da realidade e, ao mesmo tempo, uma realidade alternativa em si.
O mundo dos contos antigos existia  num mundo paralelo ao nosso, tal como a mãe de David lhe tinha dito uma vez, mas a parede que separava os dois mundos tornava-se, por vezes, tão fina e frágil que os dois mundos começavam a fundir-se um no outro.
Foi quando os problemas começaram."
O Livro das Coisas Perdidas tem aventura, fantástico, mas também realismo. Passa-se durante a Segunda Guerra Mundial e conta a história de um miúdo que perdeu a mãe (que era fã de mitos e contos de fadas). David tem 12 anos e consegue entrar numa “terra de habitada por heróis, lobos e monstros”. De caminho, vai participando em novas versões do Capuchinho Vermelho, da história da Casinha de Chocolate e da Branca de Neve (até agora... mas adivinha-se que nas próximas páginas intervenha em mais histórias conhecidas, até porque há um corcunda pelo meio).
Best-seller do New York Times. “Envolvente, mágico e profundo”, escreveu-se no Independent. “Uma fábula comovente, imaginada de maneira brilhante”, registou The Times.
«Criativo e muito diferente... Uma alegoria sobre a vida e a morte, a guerra e a paz, e outros aspectos desta vida e da próxima…»
Midwest Book Review

David é um menino de doze anos que se refugia nos mitos e contos de fadas. Até que um dia o mundo real se confunde com a fantasia e começam a acontecer coisas más. Um livro recheado de heróis, monstros e magia.
in Pais&Filhos, Setembro de 2010  

domingo, 27 de março de 2011

Um mistério literário


«Um romance fascinante.»
Carlos Câmara Leme, Ler
«Agualusa sabe que a poesia começou por ser uma linguagem prática, útil, ou mágica e xamânica. “Milagrário Pessoal” nunca esquece a dimensão política, nem a política da língua, mas o seu impulso é todo poético, adâmico. O milagre é que esta língua seja tantas línguas, que tantas línguas sejam uma só língua. Um enigma que Agualusa compara ao mais poético dos enigmas: a linguagem dos pássaros.»
Pedro Mexia, Público
" As palavras, como os seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se. Há-as de índole agreste, cuja simples presença fere e degrada, e outras que de tão amoráveis tudo à sua volta suavizam. Estas iluminam, aquelas confundem. Umas são selvagens, irascíveis, cheiram mal dos pés, fungam e cospem no chão. Outras, lgo ao lado,parecem altivas e delicadas orquídeas."
A Iara interessam sobretudoas palavras recém nascidas, ainda húmidas, ofegantes, indefesas, caídas de repente neste vasto alarido que é a vida."
Iara, jovem linguista portuguesa, faz uma incrível descoberta: alguém, ou alguma coisa, está a subverter a nossa língua, a nível global, de forma insidiosa, porém avassaladora e irremediável. Maravilhada, perplexa e assustada, a jovem procura a ajuda de um professor, um velho anarquista angolano, com um passado sombrio, e os dois partem em busca de uma colecção de misteriosas palavras, que, a acreditar num documento do século XVII, teriam sido roubadas à "língua dos pássaros". Milagrário Pessoal é um romance de amor e, ao mesmo tempo, uma viagem através da história da língua portuguesa, das suas origens à actualidade, percorrendo os diferentes territórios aos quais a mesma se vem afeiçoando.

Milagrário Pessoal
Mágico, envolvente e absolutamente original. Um mistério literário em volta da língua portuguesa. A não perder.

VALE A PENA leia o livro-veja o filme- visite o site oficial

http://www.lasombradelviento.net/

Numa manhã de 1945 um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.
Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo o eco se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à última página.
- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreve e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há muitos anos quando o meu pai me trouxe pela priemira vez aqui, este lugar já era vlaho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento,os que conhecemos estes lugares, os guardiães, asseguramo-nos de que  chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mão de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhoramigo de alguém. Agora só nos t^
em a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?

Críticas de imprensa


"Apetece dizer que este romance é uma alegoria da espécie de amizade que alguns leitores mantêm com certos livros que parecem começar-lhes a descrever a vida (...) A ler com muita atenção."
Humberto brito, In Os Meus Livros, Novembro de 2004

"Este livro foi um dos acontecimentos de 2004, pela sua qualidade de escrita, pela história fantástica e, sobretudo, por ter sido um dos poucos livros que li duas vezes com gosto redobrado. A história tem tudo: mistério, morte, polícia, perseguição, sexo, amizade e política. Carlos Ruiz Zafrón consegue agarrar o leitor desde o primeiro instante e, nas últimas páginas, confrontamo-nos com o drama de querer chegar ao fim e, ao mesmo tempo, querer fazer render o livro. É, para mim, um dos livros de 2004."
Patrícia Reis, Mil Folhar (Público), 02 de Janeiro de 2005

"Embora com ecos superficiais de Mendoza e Pérez-Reverte, a voz de Ruiz Zafón é de uma originalidade à prova de bomba. A Sombra do Vento anuncia um fenómeno da literatura popular espanhola."
Sergio Vila-Sanjuán, La Vanguardia
A Sombra do Vento
Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros. Prémio Correntes d' Escritas / Casino da Póvoa 2006.

sábado, 26 de março de 2011

O poder das palavras para construir mundos

sobre o livro


COMMONWEALTH WRITERS PRIZE Há muito tempo, quando a Terra era ainda jovem, antes de todos os peixes do mar e todas as criaturas da terra começarem a ser destruídos, um homem chamado William Buelow Gould foi condenado à prisão perpétua na colónia penal da ilha Sarah, então terra de Van Diemen, actual Tasmânia.
Talentoso imitador e falsificador de arte, Gould é encorajado por Lempriere, o médico da prisão, a entrar para a Royal Society pintando um livro de peixes.
Apaixona-se pela mulher do carcereiro descobrindo demasiado tarde que o amor não é uma coisa segura, e tenta relatar a estranha realidade que presenciou na prisão, para descobrir que a história não é escrita por quem a conhece, mas sim por quem pode. Gould, colonizador da Austrália, ladrão, mentiroso e assassino, viveu para ser testemunha do horror, do ridículo e de milagres.
Inspirado neste personagem real do início do século XIX, Richard Flanagan constrói um panorama devastador do colonialismo inglês e do racionalismo científico que o sustentou, num romance audacioso e de fecunda imaginação.
O Livro dos Peixes de Gould é uma fábula que questiona a autoria da história e da ciência e a substância que dá vida à criação artística.
O Livro dos Peixes de Gould de Richard Flanagan

Meu Pé de Laranja Lima



É um livro extremamente marcante, comovente e triste. Marcante pela ironia da sua história, comovente pela simplicidade transmitida e com que é escrito e triste pela dor e pelas perdas retratadas. Um livro que eu gostei de ler e que pela sua simplicidade e frontalidade me transmitiu a sua mensagem e sentimentos imiscuídos de uma forma subtil e profunda. Com uma mescla de turbulentas emoções e pequenas conquistas e vitórias, vividas pelas personagens, que vêm ao rubro de forma simples e eloquente em cada palavra, eu senti-me como se também eu participasse na história. Neste livro o mais importante não é os grandes feitos ou qualquer outro acto considerado por nós, na nossa cegueira e egocentrismo, digno e merecedor de importância, mas sim, as pequenas coisas, que no fundo acabam por ser as mais bonitas e importantes; as pequenas vitórias; a dor e a conquista, do mundo real e da vida real, que acabam por ter uma fantasia mais doce e bonita e um misticismo mais profundo, do que as grandes lendas ou histórias, apenas pelo que são.
José Mauro de Vasconcelos conta-nos a história de um menino chamado Zézé, com seis anos, pobre, extremamente inteligente, sensível e carente. Não encontrando na família e nas pessoas a ternura e o afecto de que necessita, Zézé entrega o seu amor às pequenas coisas, mas em especial a Xuxuruca ou Minguinho, o seu pé de Laranja Lima, que se torna o seu grande confessor, amigo e companheiro de brincadeiras. Com Minguinho, Zézé protege-se do mundo real com uma barreira feita de brincadeiras, canções e da doce ilusão da inocência.
Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos

é mais fácil desintegrar o átomo do que mudar as mentalidades.

"O Livreiro de Cabul" é uma espécie de "ficção real", que resultou da estadia da jornalista norueguesa, Asne Seierstad, em Cabul, depois de cobrir a ofensiva da Aliança do Norte contra os taliban. Aí conheceu um homem elegante, charmoso, de cabelo grisalho. Sultan Kahn era o mais importante livreiro do seu país, profissão que tinha raízes na mais antiga das suas paixões e que exercia há quase trinta anos apesar dos riscos que comportava.
 Acolhida vários meses pela família de um livreiro afegão, Seierstad escreve um livro onde relata o quotidiano, as relações, as tradições de uma família da classe média na capital afegã. Apesar de uma aparência de abertura e do elevado nível cultural, Sultan Kahn (o nome ficcionado do livreiro) relaciona-se com a sua família e os demais da forma mais tradicional (não deixando os filhos estudar, reagindo mal à ideia de a criança que estava para nascer, da sua segunda mulher, pudesse de novo vir a ser uma menina, etc.). O verdadeiro livreiro insurgiu-se contra a publicação, procurando por todos os meios impedi-la, acusando Seierstad de má-fé para com ele, que a recebera de forma hospitaleira, mas o livro já foi traduzido e publicado em mais de vinte países.
Como dizia Einstein, é mais fácil desintegrar o átomo do que mudar as mentalidades.
O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad

Um livro de amor aos livros

Tem medo de morrer durante o sono esmagado pela sua biblioteca? A acumulação de livros coloca a existência da sua família em risco? Arruma os livros por tema, língua, autor, data de edição, ou formato, ou um critério que só você conhece? Poderemos pôr lado a lado na estante dois autores desavindos? São muitas as questões que envolvem esta espécie em vias de extinção: os bibliófilos que, além da paixão pela posse de livros, têm a obsessão pela leitura.
As bibliotecas são seres vivos à imagem da nossa complexidade interior, e compõem um labrinto do qual poderemos não conseguir sair. Na verdade, os milhares de páginas que ocupam as nossas estantes estão povoadas de fantasmas que, uma vez encontrados, nunca nos largarão.
Um livro para quem gosta de livros. Para bibliotecários. para livreiros. Leitores fanáticos que perseguem livros quando são perseguidos pela fome de ler. Para devoradores de livros que nunca desitem. Para todos os que acham que os fantasmas se escondem nas bibliotecas.
  bibliotecas cheias de fantasmas, jacques bonnet,quetzal textos breves

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pequenos prazeres

"-Quantos volumes tem aqui?- perguntei-lhe.
-Para dizer a verdade, já lhe perdi a conta. Mas presumo que à volta de dezoito mil. Desde que me lembro, comecei a comprar um livro atrás  do outro. A biblioteca que se constrói é uma vida." "Seguimos certos temas e, ao fim de um certo tempo, terminamos por definir mundos; por desenhar, se preferir, o percurso de uma viagem, com a vantagem de conservarmos os seus rastos. Não é simples. É um processo pelo qual completamos bibliografias, preocupados com a referência de um livro que não temos, conseguimo-lo, deixando-nos conduzir para outro."
" - Mas infelizmente - disse- quantas horas diárias posso dedicar à leitura? No máximo, quatro, cinco horas. Repare. Trabalho das oito da manhã às cinco da tarde num cargo de responsabilidade. Mas anseio para que chegue a hora de entrar aqui. Uma gruta, se concorda comigo, e passar um pouco tempo ditoso até às dez, quando habitualmente subo para jnatar."

A Casa de Papel é um livro sobre pessoas que vivem para os livros; pessoas cujos destinos se cruzaram sobre livros, cujas vidas ficaram marcadas por essa paixão inexplicável e maravilhosa.
Há destinos que se desenham em torno de um livro; vidas determinadas por um romance que alguém escreveu sobre papel e que outro alguém escreve sobre os dias e noites do destino.
Mas também há livros que mentem; que enganam e magoam; livros falsos, escritos sem alma. Mas não é desses que vive quem lê por paixão.
Carlos Brauer, leitor compulsivo, incurável, adicto, afirmou: “os livros são a minha casa”. E um dia levou essa máxima à letra e fez uma casa com livros. Livros e cimento. Sonhos de papel e betão. Uma casa sonhada e vivida, sobre as areias da paixão que o possuiu. Das paixões que o devoraram: os livros e Bluma, a mulher que o marcou sobre a Linha da Sombra, de Conrad.
Carlos Brauer, também ele, atravessará a sua Linha da Sombra; muito para lá de uma vida confinada ao real; uma vida que construiu sobre o fantástico mundo dos livros.
Este é um livrinho fantástico: lê-se de um fôlego, enche a alma de sonho mas deixa um sabor amargo a pouco.
Mas quem lê esta pequena obra-prima ficará sempre com a certeza de que os livros unem pessoas.

Um Poema por Semana

Idealizado por Paula Moura Pinheiro, diretora-adjunta de programas da RT e no seguimento da “tradição da poesia na televisão”, o programa pretende homenagear poetas como Cesário Verde e Miguel Torga (entre outros), poetas que marcam o nosso imaginário e a identidade portuguesa.
A partir do dia 21 de março, dia Mundial da Poesia, Um Poema por Semana é uma série de 75 episódios, com cerca de três minutos cada, em que o mesmo poema é dito de segunda a sexta-feira, por cinco pessoas diferentes

segunda-feira, 14 de março de 2011

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